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Publicações

Atualizado em 13/02/16 18:38.


LIVROS E CAPÍTULOS

 

RATTS, Alex; PAULA, Marise V. de e COSTA, Kênia G. (Org.) Geografia e diferença: trajetórias e espacialidades étnico-raciais e de gênero [no prelo]

RATTS, Alex; MACHADO, Talita e AGUIAR, Vinicius G. (Org.) Espaço e diferença: abordagens geográficas da diferenciação étnica, racial e de gênero [no prelo]

RATTS, Alex e GOMES, Bethania (Org.) Todas as distâncias: poemas, aforismos e ensaios de Beatriz Nascimento. Salvador, Editora Ogum’s Toques Negros, 2015.

DAMASCENA, Adriane A. e RATTS, Alex. O canto, o lugar da congada: uma expressão cultural negra em Goiânia. In: SILVA, Ademir L. e OLIVEIRA, Eliézer C.; (Org.) Goiânia em mosaico: visões sobre a capital do cerrado. Goiânia, Editora da PUC-Goiás, 2015, p. 187-200.

SOUZA, Lorena F.. Migração Estudantil Africana em Universidades Goianas. In: DIAS, Luciana O. e LUCENA, Andrea (Org.) Migrações internacionais e políticas públicas: goianos(as) no mundo. Goiânia: UFG, 2015,  p. 201-220.

SOUZA, Lorena F.. Estudantes africanos migrantes: vivências e perspectivas na passagem do meio para a qualificação. In: MALOMALO, Bas’Ilele. (Org.). Diáspora africana e migração na era da globalização: experiências de refúgio, estudo e trabalho. Curitiba, CRV, 2015, p. 189-211.

RATTS, Alex. Gênero, raça e espaço; uma abordagem da trajetória de mulheres negras. In: SILVA, Maria das Graças S. N. e Silva (Org.) Interseccionalidades, gênero e sexualidades na análise espacial. Ponta Grossa, Todapalavra, 2014, p. 333-354.

RATTS, Alex. Uma roda de conversa, um cortejo e vários olhares: irmandades, congadas e a universidade. In: SILVA, Renata de Lima; FALCÃO, José Luiz C,. (Org.). Corpopopular: intersecções culturais. Goiânia: Ed. PUC-Goiás, 2013, p. 21-37.

CIRQUEIRA, Diogo M., GONÇALVES, Carlianne P. e RATTS, Alex. Asmarcasdatravessia:oprocessode implementação deaçõesafirmativasecotasnaUFG. In: SANTOS, Jocélio (Org.) Cotas nas universidades: análises dos processos de decisão. Salvador, CEAO/UFBA, 2012, p. 259-284.

RATTS, Alex. Os lugares da gente negra: temas geográficos no pensamento de Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez. In: SANTOS, Renato Emerson dos (Org.) Questões urbanas e racismo. Brasília, ABPN, 2012, p. 216-243.

TEIXEIRA, José Paulo e RATTS, Alex. A cidade e os terreiros: religiões de matriz africana e os processos de (in)tolerância e (in)visibilidade no espaço urbano. In: SANTOS, Renato Emerson dos (Org.) Questões urbanas e racismo. Brasília, ABPN, 2012, p. 332-360.

RATTS, Alex. Negritude, masculinidade, homoerotismo e espacialidade em James Baldwin: uma leitura brasileira. In:SILVA, Joseli Maria; ORNAT, Márcio José e CHIMIN Jr. (Org).  Espaço, Gênero e Masculinidades Plurais. ed.Ponta Grossa : Todapalavra, 2011, p. 261-289.

SOUZA, Lorena F. Mobilidade e trajetórias de professoras negras na cidade. In: CAVALCANTI, Lana S. e MORAIS, Eliana M. B. de (Org.). A cidade e seus sujeitos. Goiânia, Vieira, 2011, p. 7-23.

RATTS, Alex. Traços Étnicos. Fortaleza, Museu do Ceará, 2009.

 

DISSERTAÇÕES 

 

Corporeidade, cultura e territorialidades negras: a Congada em Catalão – Goiás

Ana Paula Costa Rodrigues


O espaço público no Brasil é marcado pelas diferenças sociais, étnico-raciais, de gênero, faixa etária e outras, constituindo por vezes territorialidades fixas ou transitórias. A corporeidade, também diferenciada por condição social, pertencimento étnico-racial, gênero, faixa etária, torna-se um elemento central nessa observação do processo de apropriação do espaço. A pesquisa focaliza a relação entre corporeidade e cultura negras e o espaço público na congada de Catalão, realizada em meio a Festa de Nossa Senhora do Rosário. Trata-se de um estudo geográfico de uma expressão cultural de origem negra. Em princípio, os espaços públicos devem ser locais nos quais os direitos de todos devem ser iguais, mas a população negra brasileira por trazer em seu corpo toda uma trajetória de racismo, não vivencia estes espaços da mesma maneira que a população branca. Em todo o sudeste goiano há congadas, mas a de Catalão é a que tem maior visibilidade e apelo turístico. No entanto, a população negra não está devidamente representada nos segmentos de decisão econômicos, políticos e culturais do município. Na Festa de Nossa Senhora do Rosário, por meio da congada, grupos negros com participação de pessoas de outros pertencimentos étnicos e raciais, demarcam com sua corporeidade um território que se expressa por meio de uma territorialidade. Desta forma podemos considerar que a congada não é somente uma manifestação religiosa, mas também uma expressão da cultura brasileira e negra na qual se observam relações de poder.

  

 

Giros e pousos, moradores e foliões: identidade territorial e mobilidade espacial na folia de reis da “comunidade negra rural” de Água Limpa, Faina, Goiás

Antonio Ferreira Leite

Na história da formação identitária e cultural da população brasileira os diversos tipos de grupos étnicos, em especial os quilombolas, sempre tiveram participação na construção social do Brasil. Por outro lado, os mesmos sempre foram relegados a um plano secundário face às políticas vigentes. Em relação ao objeto de estudo onde foi desenvolvido a pesquisa, pode-se dizer que os(as) integrantes da comunidade negra rural Água Limpa constrói um território alternativo ligado a uma identidade territorial articulada em torno das matrizes culturais deixadas pelos seus ancestrais. O território agualimpense e a identidade do grupo é o resultado de compromissos de homens e mulheres que possibilita a afirmação individual e coletiva daqueles(as) que a compõem. Faz-se necessário dizer que a mobilidade espacial que têm provocado a saída de vários(as) moradores(as) que migram em direção às cidades nos últimos anos, não têm sido fator determinante para caracterizar um desapego às suas tradições e identidade cultural construídos na comunidade. Foi observado no decorrer da pesquisa que os hábitos desses indivíduos apesar de urbanos, não perdeu o vínculo com seu lugar de origem. Isso quer dizer que se mantêm uma identidade cultural que mesmo com as diversidades de usos e funções que as cidades apresentam seu modo de relacionamento humano e cultual consegue ter uma continuidade. Esta pesquisa objetiva-se contribuir para o atual debate a cerca da Geografia Cultural e principalmente das comunidades quilombolas, em especial Água Limpa, discutindo sua identidade cultural e territorial, verificando as novas necessidades de repensar o conceito de território quilombola e suas possibilidades de desenvolvimento para o bem estar de seus habitantes. As diferenças étnicas como riqueza da raça humana apresenta características que são reproduzidas pelo próprio grupo, ou seja, representam verdadeiros dispositivos identitários e culturais.

 

 

Entre o corpo e a teoria: a questão étnicoracial na obra e trajetória socioespacial de Milton Santos

Diogo Marçal Cirqueira

Nesta dissertação analisamos a questão étnico-racial na vida e obra do geógrafo Milton Santos. Procuramos entender esta questão a partir da produção bibliográfica e de sua trajetória socioespacial. Bem como, observar como esses fatores se contextualizaram a quadros políticos, históricos e geográficos. Assim, observamos como a sua formação intelectual e suas experiências como negro - no Brasil e em outros países – influenciaram em suas análises sobre a questão étnico-racial. Ao contrário da afirmação de que Milton Santos nunca tenha tratado desse assunto, podemos identificar certa diversidade e continuidade em suas abordagens, as quais, para efeito didático, dividimos em três períodos: 1) o primeiro período dessa produção se dá entre 1950 e 1964. Nesse momento o intelectual finaliza o curso de direito na “Universidade da Bahia”, ingressa como professor catedrático no “Ginásio Municipal de Ilhéus” e realiza seu doutorado em Geografia na França. Podemos destacar desse período os seguintes livros que tratam da questão étnico-racial: “O povoamento da Bahia” (1958) e “Marianne em Preto e Branco” (1960). 2) O segundo momento é de 1964 até o fim da década de 1970, período em que Milton Santos encontra-se em exílio. Nestas circunstâncias o intelectual atua como professor e pesquisador em países do “terceiro mundo”. Dentre as obras produzidas por ele destacamos o livro “Manual de Geografia Urbana” (1989 [1969]), que trata da segregação étnica e racial existente em cidades africanas. 3) O terceiro momento ocorre entre as décadas de 1980 e 1990, ocasião em que completou-se os cem anos da "Proclamação da Abolição" (1988) e os “300 anos da morte de Zumbi dos Palmares” (1995) no Brasil. O intelectual concedeu várias entrevistas sobre o tema e escreveu vários artigos, principalmente em jornais, nos quais pode realizar discussões relacionando a nação, cidadania e "corporeidade negra". Finalmente, devemos ressaltar que as análises efetivadas por Milton Santos, a luz de seu tempo e relacionadas às suas vivências pessoais, se mostraram bastante apuradas. Isso demonstra que o autor estava atento a problemática étnico-racial, mesmo que este não fosse o foco principal de suas análises teóricas no âmbito da ciência geográfica.

 

 

Paisagens e territórios religiosos afro-brasileiros no espaço urbano: terreiros de candomblé em Goiânia

José Paulo Teixeira

Geografia e religião sempre fizeram parte da vida do ser humano, mesmo antes da ciência geográfica e das instituições religiosas o ser humano já praticava geografia e cultuava de alguma forma a natureza. Como expressão cultural a religião nos possibilita a entender os costumes de um grupo cultural ou até mesmo de uma sociedade, uma vez que ela determina comportamentos definindo uma visão de mundo. A pesquisa, que teve um caráter qualitativo baseada numa abordagem geográfico cultural, busca identificar e analisar a formação territorial e a espacialização na paisagem urbana dos terreiros de Candomblé na cidade de Goiânia. Neste trabalho procuramos também identificar a relação do Candomblé, religião de Matriz Africana, com a natureza no espaço urbano de Goiânia-GO. Para isso, além do trabalho de campo foi realizada uma leitura interdisciplinar contemplando os saberes de Geografia, Antropologia e História a respeito da temática. O território e a paisagem são categorias geográficas utilizadas neste estudo. A categoria paisagem nos possibilita identificar a cidade de Goiânia como uma cultura predominantemente cristã, enquanto pela categoria território foi possível conhecer e vivenciar de perto a cultura do Candomblé. Observamos que na cidade de Goiânia essa comunidade religiosa se apropria de outros espaços além do terreiro para cultuar seus orixás

 

 

De casa para outras casas: trajetórias socioespaciais de trabalhadoras domésticas residentes em Aparecida de Goiânia e trabalhadoras em Goiânia

Renata Batista Lopes

 

A origem do trabalho doméstico feminino no Brasil está vinculada ao período escravagista, deste modo é marcado pelo viés racial. Apesar da origem remota, trabalhadoras domésticas persistem como trabalhadoras estigmatizadas, incluídas marginalmente na sociedade e no mundo do trabalho. Representações sociais negativas relacionadas à origem e natureza da profissão (trabalho servil, aviltante, naturalizadamente feminino, desqualificado, “serviço de preto”, etc.) sempre fizeram parte do imaginário social coletivo e do cotidiano das mulheres que desempenham esta função, se manifestando dissimuladamente em vários locais e situa-ções sociais. Para tanto é imprescindível questionar: Como as representações sociais sobre a mulher, pobre e trabalhadora doméstica, cristalizadas no imaginário social coletivo (sociedade sexista, racista e de classes) influenciam nas várias dimensões da vida deste grupo de mulhe-res, seja na vida social, afetiva, profissional,...? E ainda: Quais os vínculos que elas estabele-cem com os locais pelos quais quotidianamente se deslocam? Em especial no que diz respeito à constituição do lugar – “a dimensão espacial apropriada e vivida através do corpo”? Os ei-xos norteadores do estudo são as categorias gênero, raça, corporeidade, trabalhadoras domés-ticas, representações sociais, trajetórias socioespaciais, segregação/exclusão e lugar. Diante do exposto, o objetivo do presente estudo é analisar o fenômeno da exclusão/segregação socioes-pacial na perspectiva de trabalhadoras domésticas que trabalham em Goiânia e residem na cidade de Aparecida de Goiânia, buscando identificar suas trajetórias socioespaciais – “espa-cialidade diferencial” - e compreender quais os vínculos que estas mulheres estabelecem com os locais que freqüentam, bem como os elementos principais no estabelecimento destes víncu-los. O caminho aberto pela Geografia Humanista na década de 1970, com a introdução de novos temas relativos à produção do espaço pelo homem, exigiu ampliação e diversificação do seu arcabouço teórico e metodológico até chegar as “novas geografias” atuais, na verdade geografias negligenciadas, tidas como informais pelo olhar científico tradicional, que na con-temporaneidade começam a ganhar visibilidade, ao qual este trabalho pretende contribuir. A pesquisa (multi/trans/inter)disciplinar de abordagem qualitativa, flexível e multimetodológica, contou com a contribuição de trabalhadoras que diariamente se deslocam de suas casas ao local de trabalho cujas histórias de vida foram registradas por meio de entrevistas individuais semi-estruturadas gravadas. No conteúdo das entrevistas buscou-se apreender os elementos “subjetivos” relativos aos deslocamentos e a corporeidade das trabalhadoras, isto é, a sua con-dição de mulher pobre, trabalhadora doméstica, negra ou branca.

 

 

 

 TESES

 

Sob o manto azul de Nossa Senhora do Rosário: mulheres e identidade de gênero na congada de Catalão (GO)

Marise Vicente de Paula

A (in) visibilidade da mulher é uma temática abordada na atualidade por diferentes ramos das ciências sociais. Durante um período histórico extenso, as ações masculinas eram notadas e as mulheres apareciam como exceção. A partir da década de 1960, juntamente com outros segmentos sociais excluídos, devido à ação do movimento feminista, as mulheres têm sido consideradas como sujeito da história. O presente trabalho busca a visibilidade geográfica e histórica acerca das relações de gênero na Congada da Festa do Rosário em Catalão (GO), a qual representa uma das maiores e mais importantes manifestações populares da cultura negra no Brasil. As categorias norteadoras desta pesquisa são espaço e gênero e colaboraram para a compreensão da espacialidade dos gêneros masculino e feminino no universo da Congada e as suas implicações para a visibilidade das mulheres nas dimensões espaciais públicas e privadas. Para o desenvolvimento da pesquisa foram realizados estudos bibliográficos e trabalhos de campo junto à Congada de Catalão (GO) e às pessoas ligadas a esta manifestação cultural, onde foram feitos registros fotográficos, aplicação de questionários e entrevistas. O recurso metodológico da historia oral, foi utilizado com o intuito de estabelecer interpretações que permitiram lidar com a dimensão subjetiva do vivido, fornecendo subsídio para interlocuções espaciais como proposto. Os resultados da pesquisa demonstram que, apesar da Festa do Rosário acontecer em homenagem a uma figura feminina, de Maria de Nazaré sob o título de Nossa Senhora do Rosário, a mulher vinculada à Congada apresenta uma invisibilidade relativa, mesmo que ela tenha participação cada vez maior na Congada, além da preparação das roupas e alimentos. Seus espaços de ação ainda estão muito vinculados ao privado e seu trânsito nos momentos dos rituais da festa obedece a uma espacialização separada e hierarquizada pelo gênero. Mesmo quando a mulher congadeira se torna capitã ou dançadora de um terno, a ruptura com o sexismo ainda não é completa, pois observamos restrições espaciais e hierárquicas, que se refletem na própria identidade de gênero da mulher congadeira. Considerando ainda que a presente pesquisa ocupa-se principalmente das mulheres negras, visto que a Congada é uma manifestação popular originária deste segmento étnico-racial, os dados socioeconômicos, levantados sobre as mulheres congadeiras, repetem o quadro de exclusão e marginalização do coletivo, apontados por diversas pesquisas no Brasil. Desta forma, compreende-se que a reflexão acerca das mulheres e identidade de gênero na Congada, tendo a (in) visibilidade espacial da mulher como tese, ultrapassa os limites da congada e atinge a realidade sociocultural da mulher negra e brasileira.

 

 

 

 

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